29.11.08
Tudo bem, eu confesso.
Tenho uma paixão por semana.
Não haveria melhor descrição para o meu mal que aquela comunidade orkutiana da “Paixão Anônima Instantânea”. Olhou, gamou! É pá, pum!
Nada que se compare ao arrebatamento de um amor pra vida toda, ou aqueeele seu ex-futuro-quase-marido dos sonhos que você jura que um dia ainda amarra no instituto sagrado do matrimônio, mas tenho. Até tentei pesquisar se era algum tipo de doença da sugestão psico-mental-afetiva em que as pessoas pensam estarem ligadas as outras pelo resto da vida até o fim da semana. Todavia, nessa busca incessante pela cura da minha anomalia eu percebi que não existe cura para tudo aquilo que não é caso digno de estudos científicos.
Pronto.
Desesperei.
Fui condenada a uma existência sem sentido, como diriam os pseudo-depressivos, em busca de um sentimento que ultrapasse a barreira dos fatídicos sete dias.
Samara que me perdoe o parafraseio, mas “Seven days” não é só coisa do terror do bueiro, digo, do poço. Aterroriza também pobres mentes ociosas, carentes de afeto. E nem vem com aquele de que a mente ociosa é oficina do diabo, porque nada pior que o sofrimento de uma paixão platônica nova a cada mudança do astro lunar. Ô castigo pra todos os meus pecados. E ainda querem dizer que todo castigo pra corno é pouco! Poupe-me!
Ah, claro. Digo isso porque a cada mudança de ambiente eu acho um novo alvo para meu distúrbio, e eu juro que não procuro por isso. As coisas brotam na minha mente ou são brotadas por forças alienígenas a minha própria vontade – sugestão de amigas é um desses ETs. Isso advém de um vácuo existencial no que tange as relações interpessoais de afeto entre o meu ser pensante e os do sexo masculino. – Nessas horas eu lembro que quando não rola a química, vai na física mesmo e a gente se diverte, mas deixa isso pra lá - Logo, qualquer contato não é meramente um acaso; é destino e demonstra que estarei profundamente perdida por outro espaço temporal de sete sóis. Tanto no profissional, quanto no encaminhamento dele, quanto no pessoal, a PAI me persegue.
É praga! Tem que ser!
5.11.08
Rua Uruguaiana
Das 7 às 9 da manhã
De um lado para outro pessoas passam, esbarram-se umas nas outras, empurram com a pressa de chegar a seu trabalho. É aquele velho clichê da modernização, da vida contemporânea: o homem vive para trabalhar ao invés de trabalhar para viver. É a era do homem máquina, da vida em imensas caixas de leite sem o aconchego familiar. Homens de terno, impondo respeito por onde passam, como se cada um deles guardasse um rei na barriga apenas por usar um tecido mais quente que o das outras pessoas e um adorno colorido em torno do pescoço. Não que eu reclame, é claro – tenho uma queda bem grande por homens de terno -, mas eles pensam que isso é o máximo ainda que seja em um sol de 40º, na “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”, já diria Fernanda Abreu. As mulheres em seus lindos saltos homéricas (e terrivelmente desconfortáveis, acredite) fazem “toc-toc-toc” em qualquer calçada e isso sim é o máximo para elas – ok, ok, admito ter fascínio por esse barulhinho irritante de filme de terror. E isso é o dia todo, todos os dias. Depois disso tenho que discordar da supracitada e dizer: de maravilhoso isso não tem nada! Vê se Afrodite, a deusa da beleza, ia querer alguma coisa com isso? Evidente que não! Agora, Caos, aquele deus desgraçado ia mesmo adorar isso! (Com todo respeito, hein seu deus).
Hora do almoço - Você pensa que muda alguma coisa? Claro que não, tirando o fato que essa hora o calor é ainda maior, o chão parece pegar fogo, e tem “rapa” toda hora, porque os guardinhas têm que mostrar serviço. É um pandemônio, isso sim! Mas não reclamo, essa agitação da cidade na hora do almoço deve fazer bem a digestão, até porque caminhar esse aquela massa de pessoas é mesmo uma maratona.
Mas o momento que eu aguardei tanto pra descrever é o da saída. Por volta das 6 e meia da tarde. Eu nunca tinha reparado em como é engraçado: de um lado, os guardinhas do “rapa” indo embora, tomando seu rumo; de outro, pessoas chegando por todos os lados com seus pedaços de barracas, cabides, araras, manequins improvisados, lonas azuis e amarelas para esticar no chão e colocar para vender todo o tipo de bugigangas e roupas que você possa imaginar. Tudo a preço popular, você deve imaginar.
Eu vim pela rua olhando abismada para tudo aquilo, para todas aquelas pessoas surgindo do nada com seus carrinhos de feira, gritando seus produtos aos quatro ventos e quase automaticamente associei ao que deveria ser a cidade antigamente, cheia de bancas com pessoas que anunciam seus produtos assim, aos berros, sem censura. “CD, DVD é dez!”, “Olha a blusa de malha, freguesa, só paga dez real”, “Bolsa na promoção, bolsa na promoção, chega mais que ta quinze!”. Hoje isso só é permitido depois das seis. E ao constatar a magia das seis horas, me senti uma menina vendo o mundo de olhos arregalados. Não como disse Marisa em Gerânio - “ela que descobriu o mundo e sabe vê-lo do ângulo mais bonito”-, mas como disse Tamyris em um momento de abstração, “olhando ao redor com olhos de quem nunca viu o mundo”, vendo tudo pela primeira vez...

O que você precisa saber sobre mim:
12/06/1989; curiosa e desconfiada;
míope, sonho acordada, penso no que poderia ter dito;
vivo em um caos organizado.
Orgulhosa, estudante de direito, adoro francês, amo mãos e falo alto. Chata, grossa, estúpida... Gênio forte!
FND, flamengo, Lapa e café. Piercing na orelha! Moro sozinha.
Não tenho uma lenda sobre mim; não costumo gostar do que faço; não tenho um
'estilo' definido de música; adoro filmes com coreografias e dançar sozinha
no quarto; sei exatamente como TEM QUE SER a sala e o bar do meu futuro duplex, o resto não importa muito,
e não nasci pra Amélia;
tenho manias, medo do escuro, e pavor de aranhas.
Antes de morrer eu tenho que conhecer o Brasil; viajar de carro com os amigos;
morar em Londres, conhecer a Alemanha, a Grécia e Amsterdã; exercer minha profissão e (antes, bem antes)
escolher o que fazer dela; fazer minhas próprias roupas; ter um casal de filhos;
e por um instante que seja, acreditar que acreditei no "ridículo da vida"...
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arquivo
Desde: 14/02/04 - Blogger
Antes: 21/12/02 - Weblogger
Make-believe quer dizer faz-de-conta, o famoso mundo encantado
dos contos infantis.