20.10.07




Pelo prazer da clausura...

Animais selvagens em jaulas, exibindo seu sofrimento como forma de diversão, em zoológicos.
Pássaras mudos, presos no som de seu próprio canto, em gaiolas douradas.
Cães de músculos atrofiados, em meio a seu fétido canil.
Seres humanos enclausurados na limitação de seu próprio ser, na sua incapacidade, entre blocos de concreto, vigas, poluição... Do alto de seus vinte andares, da profundidade de seus subsolos...
O que é o crescimento vertical se não a vida limitada a pequenas caixas de sapatos bem decoradas, de alto custo, de olhos arregalados a espreita, de passos ouvidos pelo corredor, de ólhos mágicos no meio das portas, da fofoca rastejando em silêncio, subindo pelas paredes, escadas, elevadores. O que, se não uma grande mansão onde moram vários estranhos, vários conhecidos, várias famílias dispersas, vários seres mecânicos, com a mesma cabeça, com a mesma idéia de evolução.
O ser humano sente prazer com a destruição, com o sofrimento, com o isolamento... A clausura nada mais é que uma junção de todos esse prazeres sádicos, dessa vontade de ver o que há de melhor no pior, dessa satisfação em ver o estrago; fruto da nossa própria prisão, dessa prisão da forma a que somos acomodados.

Eu gosto é do estrago.

; tamy ::



***

 
Sou curiosa e desconfiada; sou míope, sonho acordada, penso no que poderia ter dito; faço um caos organizado por onde passo.

Sou orgulhosa, falo alto MESMO. Não tenho uma lenda sobre mim; não costumo gostar do que faço; não tenho um 'estilo' definido de música; adoro filmes com coreografias e dançar sozinha no quarto; sei exatamente como TEM QUE SER a sala e o bar do meu futuro duplex, o resto não importa muito; tenho manias, medo do escuro, e pavor de aranhas. Antes de morrer eu tenho que conhecer o Brasil; viajar de carro com as amigas; morar sozinha e em Londres (ou o que vier primeiro); conhecer a Alemanha, a Grécia e Amsterdã; exercer minha profissão; fazer minhas próprias roupas; ser juíza ou desembargadora (ou o que for mais fácil); ter um casal de filhos; e por um instante que seja, acreditar que acreditei no "ridículo da vida"...


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