6.9.07
Sexta-feira do Horror - Parte I - A missão
... e missão nesse caso não significa uma missa grande ...
Enfim, eu diria, a tão sonhada e conquistada independência! Um emprego regular, a faculdade que eu sempre quis fazer - moda -, um apartamento só meu com meu próprio atelier. E a visita da diplomata Ávila toda sexta de manhã às 6h em ponto. Pra quem não sabe, diplomata Ávila - ou Samantha, como queira - é aquela que se diz minha mãe. Isso, evidentemente é apenas o que ela diz sobre o assunto; ela diz que me gerou só que isso, pra mim, é história pra boi dormir sabe? Eu devo ter, no mínimo, nascido por brotamento! Ou então fui adotada quando já tinha algum tempo de convivência com meus pais biológicos - que deveriam ter outros nove filhos e por isso não poderiam sustentar a décima cria e me venderam a essa senhora no mercado negro de bebês fofinhos - e assim, só assim, é que eu posso ter ficado tão psicologicamente distinta da mesma. Ok, não posso negar que eu carrego a carga genética dela (sou quase uma xerox) mas não custa sonhar né? Sempre existe a hipótese do brotamento.
Voltando ao conto de horror, parte I, justo no dia em que eu pego mais tarde na faculdade e sou uma pessoa bem melhor e mais apresentável, ela resolve me tirar da cama as seis da madrugada com a desculpa de que eu preciso manter uma vida saudável acordando cedo pra ficar bem disposta. Será que ela já ouviu falar em sono de beleza? Ah sim, ia quase me esquecendo de que ela tem uma cópia da chave do apartamento - "para eventuais emergências, minha filha" - e que eu não sou acordada pela ding-dong da campainha, mas sim pelo abrir das cortinas do meu - MEU - quarto.
Certo, eu levantei de péssimo humor, como em todas as outras sextas, tomei um café pra ver se acordava e me vesti. Obviamente, ela reclamou da roupa que eu estava vestindo.
- Você vai assim pra faculdade?
- Vou.
- Você tem certeza de que vai com esse trapo?
- Não é trapo.
- Coloca uma roupa mais bonita.
- Eu tô bem assim, mãe.
- Se você diz. Mas podia pelo menso passar um batomzinho, um blush...
- Mãe!
- Não está mais aqui quem falou... Mas que podia, podia.
Suspirei. Não adianta. Ela é muito teimosa.
Saí do jeito que estava mesmo, e falei pra ela chamar o elevador enquanto eu fechava o apê e escovava os dentes. Assim ela o fez. E escuto os berros do corredor.
- Anda logo, Alexandra! O elevador já está descendo. Se você não fosse tão preguiçosa desceria de escada! Rápido!
E eu saí e na verdade o elevador estava parado. No décimo sexto andar. E eu moro no décimo segundo. Quatro andares acima e toda aquela pressa. Não deu tempo nem de olhar minha cara no espelho. 'Clim'. Elevador chegou, a porta se abriu e tchãram! Os vizinhos do décimo sexto estavam dentro, como era de se esperar. Eu, como sempre faço, dei um tímido bom dia aos dois homens que estavam dentro e esperei que chegássemos ao térreo. Meu cabelo estava horrível, só que eu não admitiria pra Sra. Diplomata.
- Como você saiu com esse cabelo? Tá um horror!
- Mãe! Pára. Tá bom assim~.
- Não está não. Vem cá que eu dou um jeito nisso.
- Não mexe que piora. Deixa pra lá!
E foi então qeu eu percebi o que ela ia fazer. O mesmo que ela faz desde que eu tinha 4 anos idade e que hoje, com 19 ela ainda não parou de fazer. Ela ia molhar a mão em algum lugar, e passar no meu cabelo "pra amansar os fios". Quando ela não tinha água por perto, você pode imaginar com o que ela amansava a fera não é? Exato, com cuspe. Pra minha sorte, ela estava com uma garrafinha de água mineral naquela mala que ela chama de bolsa. Deve ter um rastreador de míssil teleguiado ali dentro, juro. Ela molhou um pouco a mão na água e com todo o esforço que conseguiu fazer pra alcançar o topo da minha cabeça, passou as mãos. E eu pude ouvir o barulho que o cabelo fez rejeitando aquele toque. Tudo em que eu pensava era o tamanho do buraco que eu deveria cavar pra enfiar a cara. Além de, é claro, fica sem dar as caras no prédio durante dois meses.
'Clim'. Segundo andar.
- Bom dia, srta Alexandra. Sr Albuquerque, menino Guilherme. Sra Ávila. - o porteira entrou e cumprimentou a todos com um aceno de cabeça e um sorrisinho amarelo, especialmente pra mim, como quem compreende o meu sofrimento.
- Bom dia seu Joaquim.
Silêncio. Tava demorando pra que minha mãe soltasse uma pérola.
- Calor não é? Parece que vai fazer sol o fim de semana inteiro.
- Pois é, mas a senhora sabe como esses meteorologistas erram né? Ainda mais com esse tal de 'El Niño'. - e virando-se pro vizinho do 16º - Que jogão ontem hein, patrão! 4 x 1 em cima do Figueirense!
- Ô! O time estava mesmo precisando de uma vitória como essa pra dar uma animada.
- Realmente foi muito bom quando todos aqueles homenzinhos chutaram a bola para aquele quadrado grande e marcaram ponto pro Fluminense. - ela tinha que soltar essa. E o jogo era Flamengo e Figueirense. Meu vizinho só olhou pra ela e sorriu sem graça, desviando o olhar pro teto em seguida.
'Clim'. O doce som da chegada ao térreo e fim do pequeno interlúdio entre minha mãe e o vizinho do 16º.
- A gente se vê, Alex.
- Falou, Gui.
Minha mãe, evidentemente, estava passada. Ela não podia admitior a hipótese de um ser humano do sexo masculino em plena idade reprodutora pudesse trocar cinco palavras comigo.
- Que gatinho hein, filhota. E o pai dele é um gatão.
- Mãe...
- O que foi? Disse alguma mentira?
- Não começa... - suspirei e saí andando pra garagem.
Nessas hroas que eu penso, o que eu fiz rpa merecer um dia como esse? O que? Sempre dizem que Morgana é muito vingativa, ams não pensie que fosse tanto assim. Só porqeu um dia eu falei que a roupa dela era meio demodê? Qualé!
; tamy ::
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