25.5.07



Sozinho na multidão
... e não é modo de dizer ...

Em meio a 18 mil pessoas lá está ela, pulando e gritando como se aquele fosse seu último dia de vida.
Talvez fosse o primeiro em que realmente se sentiu bem e viu nisso um motivo pra se sentir mal. Seus amigos, assim como ela própria, pulavam eufóricos, mantinham-se ocupados.

Aos poucos uma sensação foi crescendo dentro dela. Era como se as perguntas que as pessoas levam a vida e a morte pra responder viessem a tona justo naquele momento. Uma lágrima solitária rolou por sua face sem que se desse conta. Agroa era difícil dizer o que fazia ali, mesmo depois de horas. Não sabia porque continuava, porque ainda não tinha dado o fora, ninguém notaria, ninguém nota sua presença ali mesmo quando estão abraçados a você. Era uma questão pronfunda e complexa que segue a mesma linha de raciocínio de "quem sou eu? onde estou? pra onde vou?". Estava sozinha em meio a multidão e acredite, seu problema não era homem - nem mulher , se foi o que o engraçadinho pensou, já que não era disso que gostava.

Um pensamento engraçado lhe correu a mente: se era assim que se sentia uma pessoa soazinha em meio a multidão, não queria nem imaginar como se sentira um cego em tiroteio. Uma barata tonta, então! Seria a morte. Eles sofrem mais do que podemos imaginar!
Correu, fugiu como sempre fazia com seus problemas. Jogou em um cantinho qualquer, escondeu debaixo do tapete mais aquele misto de indagações. Não tinha tempo nem cabeça pra questões de extrema complexidade agora. Tempo era um amigo do qual não dispunha.

Se a sua chance de brilhar finalmente havia chegado na semana seguinte, não soube aproveitar. Ou pelo menos, sua alegria com a vitória em amsi um projeto se foi quando começou a pensar como seria dali pra frente. Que outros obstáculos, para os quais não estava preparada, teria de enfrentar? Tentava se convencer de suas próprias mentiras para justificar suas ações mas a realidade sempre batia a sua porta, estapeava-lhe o rosto com luvas de pelica, que era pra ser mais delicada.

Sentiu medo de suas próprias escolhas, fugiu mais um pouco. Não soube como agir.
O que vem depois, ela se perguntou. E não soube responder.

Você também não? É a vida. Quando achar a cura, me avisa. Dou o recado a ela.


"Sou um grão de areia no olho do furacão, em meio a milhões de grãos" - Gabriel, o pensador


; tamy :: scraps



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9.5.07



"Vai Planeta!"
... acredite, não é pelo desenho porque eu não lembro dele,
mas hoje eu acordei meio ativista ...


Eu tentei inutilmente escrever ontem, algo que não fizesse parte de questões "polêmicas" ou que pelo menos não representasse uma opinião pessoal. Como disse, foi inútil. Quando um assunto fica ali, martelando na cabeça da gente, não há como fazê-lo sair correndo pela porta dos fundos. Ele se esconde em um cantinho qualquer da área de serviço, mas fica ali, até que você vá limpar a bagunça e o encontre, assim sem querer.

Se existisse um poço um pouco maior que a dimensão da Terra, daqueles que você olha e acha que não tem fundo, bom, ele seria o destino do planeta. O fundo do poço é pra onde estamos nos encaminhando nesse contexto de destruição, poluição, escassez... Aos poucos o mundo vai se esvaindo e não conseguimos mais deter esse processo.

Não encare como hipocrisia. Sei que nunca fui uma pessoa muito ligada a natureza, a preservação ou as questões ambientais mas como muitos outros eu sempre gostei de ver o verde brilhante e bonito. Só que não é exatamente isso que eu tenho visto por aí. Na verdade, parece mesmo que o fim está próximo, e acho que mais por uma visão egoísta do futuro eu estou tentando de alguma forma fazer a minha parte. Em algum lugar da minha mente alguém gritou que eu preciso fazer alguma coisa pra mudar; hoje pode ser que não faça diferença, contudo amanhã é outro dia e outras pessoas farão o mesmo que eu.
Posso não ser A militante do WWF-Brasil ou do Green Peace, todavia não sou também uma pessoa ignorante no que diz respeito ao meio ambiente. Quero, de forma puramente egoísta e egocêntrica como já disse, não esperar para morrer de sede, ver meus filhos crescerem e passar pelas fases boas e ruins que eu passei, ter a minha biblioteca repleta de livros com um escritório secreto, a sala de música redonda com um piano de cauda preto e saída para o jardim dos fundos... quero a minha escada central no hall de entrada, dar festas de aniversário, viajar pelo país e depois pelo mundo com todas as suas maravilhas ainda "intactas". Quero viver e dar chance de vida as futuras gerações, não quero que ter de ensinar meus filhos a fazer o chá de uma erva fatal se acharem que o mundo vai acabar, pelo menos não como primeira opção.

E então eu vejo como eu mudei, em pequenas coisas. Hoje me preocupo em segurar até mesmo o papel de bala para não jogar no chão ou em fechar a torneira quando não estiver usando a água. Não é como se eu estivesse plantando árvores a torto e a direito mas já é alguma coisa. A natureza está gritando e não estamos ouvindo.
Vejo o passado com certa nostalgia porque os jovens eram mais ativos, e vejo que aquela geração que queria mudar o mundo, transformou-o em coisa pior. Agora quero fazer parte da geração que vai muda-lo novamente, só que desta vez pra melhor.

Há de se operar transformações, só não podemos deixar que sejamos nós os transformados.
Só resta a escolha: mudar o mundo ou querer que o mundo mude?


"Pois aquele garoto que ia mudar o mundo /
agora assiste a tudo em cima do muro"
Ideologia - Cazuza

"Lembra quando sua geração sonhava em mudar o mundo?"
"Parabéns, vocês conseguiram!"


; tamy :: scraps



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1.5.07



Negação e Medo
... totalmente sem sentido ...

Não sabemos o momento exato
do fechar de olhos quando estamos com sono,
ou do afastar dos lábios em um beijo.

Não sentimos o fim da música de imediato,
mas percebemos quando a melodia se foi.

Não percebemos a iminência do movimento,
mas sentimos o bater do vento em nossos cabelos.

Os fatos consumados passam despercebidos...
As sensações permanecem eternizadas em nossas mentes.

Por não sabermos o que está por vir,
nos tornamos desconfiados.

Por não compreender as razões ilógicas do sofrimento,
tememos a felicidade, a realização, a paixão...
com medo de que nossos sonhos sejam frustrados.

Até mesmo o descontrole agustiante de um sonho
nos apavora ao cair da noite.

Mas de forma alguma, devemos deixar que preocupação
tome a coragem de lutar por mais um dia.

Não deixemos nunca de tentar,
não por nós ou por outros,
mas pelo simples medo de falhar.

ps.: Assim como o texto anterior, esse aqui já foi postado no meu "outro blog", 'F' nos links ;)


; tamy :: scraps



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"Eu te deixo ser; deixa-me ser então"



Se sinto, tento esconder; falar é um grande vício; ser confusa é inerente ao ser; desconfiar está na essência; sou míope, sonho acordada, fantasio diálogos que não vão existir; faço bagunça, um caos organizado e com certa freqüência não sei como agir;
Sou orgulhosa, tímida notória, falo alto mesmo, e daí?



F.I.H-C.L.O.S.E


"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."




Citações de Clarice Lispector.
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